Sabia que cada tonalidade transmite informações, valores e sentimentos específicos? Le Corbusier, por exemplo, demonstrava grande admiração pelo poder das cores.

Mas e você? Já sabe como aplicar a psicologia das cores na decoração e fazer combinações harmônicas? Acompanhe as dicas deste artigo e garanta bons resultados!

Composição do círculo cromático

Também conhecido como roda ou círculo de cores, o círculo cromático é essencial no trabalho de diversos profissionais. Trata-se de uma ferramenta que permite compreender como diferentes tonalidades se relacionam.

Quem observa o círculo vê que ele é composto por 12 cores, todas dispostas lado a lado em uma posição fixa — mesma ordem em que aparecem no espectro cromático. Veja abaixo como são classificadas essas cores:

  • primárias: representadas pelo azul, vermelho e amarelo, ou seja, pelas três tonalidades que dão origem a todas as outras que conhecemos;
  • secundárias: são três cores resultantes da mistura das primárias. Estamos falando do laranja (vermelho + amarelo), do verde (azul + amarelo) e do roxo (azul + vermelho);
  • terciárias: resultam da mistura de cores primárias com secundárias. Um exemplo é o turquesa, que surge a partir da união de azul (primária) com verde (secundária).

Para aplicar cores de modo a obter um ambiente harmônico, é importante conhecer o círculo e a ordem dos diferentes tons. Além das primárias, secundárias e terciárias, há outra categoria essencial no trabalho dos arquitetos: as cores neutras. Esse grupo é compreendido por tonalidades como branco, bege, cinza, preto e marrom.

Estudo e definição da paleta de cores

Com a utilização do círculo cromático na arquitetura, um profissional da área consegue compor espaços mais equilibrados e visualmente agradáveis.

Fica fácil, por exemplo, selecionar uma cor específica e encontrar outras tonalidades que combinem com a que foi eleita no início.

Para isso, é preciso entender como funcionam as paletas de cores, que nada mais são do que conjuntos compostos por tonalidades específicas.

Existem vários tipos de paleta para trabalhar em um projeto, cada qual com suas características. Apesar disso, todas se baseiam em regras únicas para garantir um resultado satisfatório.

Veja a seguir algumas das principais paletas existentes e os critérios que determinam suas cores.

PALETA MONOCROMÁTICA

É formada por uma única cor do círculo. Para garantir variações, são utilizadas diferentes intensidades do mesmo tom, criando uma espécie de degradê (ex: lavanda, lilás e roxo).

PALETA COMPLEMENTAR

Composta por uma dupla de cores que permanecem em posições opostas no círculo, como azul + laranja ou amarelo + violeta.

PALETA ANÁLOGA

Ideal para compor um ambiente aconchegante, essa paleta traz cores que se posicionam ao lado da cor selecionada. Tons análogos do laranja, por exemplo, são o vermelho e o amarelo, enquanto os do azul são o verde e o roxo.

Ainda entre as opções está a paleta primária (composta pelas três primeiras do círculo), a tríade (combinação de três cores equidistantes dentro do círculo), a fenda (união de uma primária com duas complementares), e muito mais!

Independentemente da escolha, nunca deixe de lado as cores neutras. Elas criam uma base discreta para trabalhar com qualquer tonalidade, sem risco de deixar o ambiente pesado ou com excesso de informação.

Combinações harmônicas em projetos

Para mostrar a aplicabilidade de diversos modelos de paleta de cores, trouxemos alguns exemplos de projetos desenvolvidos por profissionais. Confira!

PRIMÁRIA

O arquiteto Blácio Paulo Ruivo Júnior, de Capão da Canoa (RS), compôs um espaço que dá destaque a uma cor primária sobre um fundo neutro.

Espaço composto pelo arquiteto Blácio Paulo Ruivo Júnior

Como você pode ver, o amarelo aparece não apenas em superfícies que compõem a estante, mas também na iluminação da plataforma colocada sobre o piso de cimento queimado. Essa, por sua vez, ilustra belas peças Mini com seus jogos de pequenos triângulos.

O mesmo acontece no Home Office criado pelo arquiteto Matheus Letiere Vieira de Matos, de Capão da Canoa (RS). O ambiente é trabalhado com contrastes de tons claros e escuros (incluindo fotografias em preto e branco) e chama a atenção com seus elementos em amarelo (almofada, pufe e detalhe do nicho). Na imagem, ainda é possível observar dois instrumentos que trazem as outras cores primárias: azul e vermelho.

Espaço desenvolvido pelo arquiteto Matheus Letiere Vieira de Matos

MONOCROMÁTICA

Em um quarto assinado pela arquiteta Sheila Marques Pinheiro, tons de rosa em diferentes intensidades predominam sobre uma base clarinha de móveis brancos.

Quarto desenvolvido pela arquiteta Sheila Marques Pinheiro

A cor em versão pastel foi aplicada nas paredes e nas capas das almofadas que enfeitam a cama. O contraste fica por conta do tapete rosa-escuro e da colcha e manta, que puxam quase para o magenta.

sala de estar concebida pela arquiteta Gabriela Assaf, de Niterói (RJ), combina três variações de azul: um mais clarinho (quase turquesa) no detalhe do tapete, índigo na poltrona e azul-marinho nas almofadas. O piso e a parede não disputam atenção com as cores escolhidas para o espaço.

Sala de estar concebida pela arquiteta Gabriela Assaf

COMPLEMENTAR

Em um salão de restaurante projetado pelo escritório Go Up Arquitetura, de São Paulo (SP), é possível observar um trabalho com duas cores complementares: o azul que aparece nas almofadas e toques de laranja no revestimento da parede.

Salão de restaurante projetado pelo escritório Go Up Arquitetura

Perceba que as outras tonalidades do ambiente são discretas e mantêm uma atmosfera neutra que ajuda a equilibrar a composição.

Outro exemplo interessante está no lounge de autoria de Daniela Giffoni, arquiteta de Porto Alegre (RS). A paleta foi utilizada com discrição, já que boa parte dos elementos e superfícies traz tons neutros (branco, bege, marrom) e muito preto. O acabamento cobre no interior das luminárias cria uma luz avermelhada que contrasta com o verde do jardim vertical e das outras plantas presentes no local.

Lounge de autoria de Daniela Giffoni, arquiteta de Porto Alegre

ANÁLOGA

Com predominância de cores quentes, temos o living room do escritório Hecher Yllana Arquitetos, de Porto Alegre (RS).

Living room do escritório Hecher Yllana Arquitetos

É possível visualizar itens em vermelho (mobiliário ao fundo e esculturas), laranja (almofadas e poltronas) e amarelo (luzes, cadeiras e vela decorativa). O tapete no centro gera um mix de todas essas cores e completa o ambiente.

Nas salas integradas de autoria de Tatiana Santos Pessôa Rey, de Salvador (BA), a paleta análoga é representada pelos tons verde (plantas e objetos decorativos), azul-claro (poltronas) e azul-escuro ou marinho (louças e jogo de mesa).

Salas integradas de autoria de Tatiana Santos Pessôa Rey

Esse gradiente pode ser facilmente observado no círculo cromático. Para complementar o fundo neutro e iluminar os ambientes, há uma parede revestida.

Aplicação do círculo cromático na arquitetura

Para o designer Frank H. Mahnke, as cores em um espaço arquitetônico são mais que apenas decoração. Em seu livro intitulado “Color, Environment & Human Response“, o autor afirma que o cérebro humano processa as tonalidades a partir de uma base objetiva e subjetiva.

É o que também diz a psicologia das cores, um estudo que mostra como as pessoas identificam e transformam diferentes tonalidades em sensações.

De fato, existem várias maneiras de trabalhar as cores em um ambiente, mas é importante conhecer o poder de cada uma delas para usá-las corretamente.

Veja abaixo os principais valores e sentimentos relacionados:

  • amarelo: relaxamento, alegria, otimismo, foco;
  • laranja: equilíbrio, extravagância, vibração, humor;
  • vermelho: energia, movimento, calor, força, poder;
  • rosa: felicidade, charme, delicadeza, feminilidade;
  • verde: vigor, calma, renovação, vitalidade;
  • azul: tranquilidade, confiança, lealdade, fé, ordem;
  • roxo: nobreza, espiritualidade, mistério, sabedoria;
  • preto: elegância, profundidade, sofisticação, ousadia;
  • branco: paz, limpeza, harmonia, simplicidade;
  • marrom: conforto, aconchego, estabilidade.

Uma boa dica para começar o projeto é determinar uma cor principal e, a partir dela, testar combinações com diferentes paletas no círculo cromático.

A cor eleita e seus tons complementares podem aparecer em pinturas, detalhes do mobiliário ou em estampas e desenhos de diversos materiais, como tecidos, peças de acrílico, ladrilhos, pastilhas, cerâmicas e porcelanatos, além claro, de revestimentos de concreto.

Gostou de aprender mais sobre o uso do círculo cromático na arquitetura? Então não deixe de adotar essa excelente ferramenta ao planejar as cores na decoração dos seus próximos projetos.

Vale a pena experimentar!

Fonte: https://archtrends.com/blog/circulo-cromatico/